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Créditos: http://meioambiente.culturamix.com/natureza/importancia-das-nuvens-para-o-ciclo-da-agua |
A artista aspirante Daniela Araújo é
convidada por um velho amigo a comparecer a uma pizzaria.
Olá pessoal! Mais uma série de textos :) Não consigo chamar de contos, mas fico feliz que consegui um tempo para escrever algo para cá, haha.
CORRENDO DOS LOBOS - PARTE UM
Era um bom dia de outubro quando Daniela avistou nuvens na frente da cor azul clara do céu e as cumprimentou:
— Que bonitas elas estão! — a alegria fez um sorriso
brotar no seu rosto delicado —
Ah, se eu pudesse ser capaz de capturar essa imagem o tempo bastante para fazer
um rabisco...
Daniela
estivera pintando as suas telas com a aquarela que sua genitora comprara no dia
anterior. Seus traços eram finos e refinados com o pincel e, por causa de seu
hábito de geralmente usar o sábado e o domingo, ela havia se tornado mais
rápida em terminar seus quadros. Seu pai estava passeando com seus dois irmãos
maiores em um parque da cidade. A rotina dos finais de semana era assim na
família Araújo: seu pai, Danilo e Diogo saíam por uma ou duas horas, sua mãe
cuidava da horta que possuíam na casa estilo germinada e Daniela passava o
tempo fazendo suas pinturas.
Era
uma atividade que começara ainda em seu Ensino Fundamental, um hobby que
compartilhava com um de seus tios que a incentivava bastante, e que se tornou uma
espécie de um micro negócio. Era uma jovem de 21 anos, mas, ainda que muitos de
seus colegas tenham a desejado cursar Artes Visuais, ela preferiu esperar após
o Ensino Médio para ver qual faculdade realmente desejaria. Até aquele momento,
que terminava de pintar os galhos de uma caramboleira sob duas crianças que
faziam um piquenique, ainda não decidira qual, mas ocupava suas semanas
negociando alguns quadros pela internet e organizando exposições tímidas em
vias públicas.
Não
que não sobrasse tempo para sua diversão. Muito pelo contrário.
— Dani! — sua mãe a chamou da
cozinha, os cabelos amarrados em um rabo de cavalo e vestindo um avental
laranja — Seu celular
está tocando!
A
garota pausou o movimento com seu pincel e o deixou ao lado do quadro.
— Deixei ele aí? — quis saber, antes
absorta nos detalhes.
— Sim, mocinha — a mulher voltou a picar
os ingredientes para a sopa —
Você se esqueceu? Você deixou seu celular carregando antes de ir pintar — fez uma pausa — Estava tocando bastante.
Ouviu não?
— O volume do toque é
baixo daqui para a varanda —
esclareceu Daniela, antes de clicar para acender a tela do celular e checar
duas ligações de uma de suas amigos — Ah, é João Vitor.
— O que ele queria? — disse a mãe, antes de
ouvir um barulho de um carro freando repentinamente na rua e se dirigiu para a
varanda com o fim de ver o que acontecera.
A
menina ainda encarava o aparelho e suspirou ao se ver só.
— Eu não sei, mãe — Daniela se deu de ombros
e discou para o número dele. Aguardou até ouvir a voz alegre de seu antigo
colega de colégio. —
Oi, aqui é a Dani. O que aconteceu, João?
— Dani! — um riso ecoou no telefone
— Oi, e aí! Tudo bem
aí?
— Eu vou bem, João — a voz dela soou
tranquila, mas com uma pinta de irritação — Estava pintando um quadro antes de você me
telefonar.
— Ah, mil desculpas, mas
acho que não vou aceitar um não... Exceto se você não tiver tempo de verdade e
não puder vir, o que eu vou entender se você explicar.
— Não, tenho tempo — ela se encostou na pia,
que ficava na frente de uma fotografia dos cinco tirada há três anos atrás — Pode falar. Você está
planejando ver Star Wars no cinema hoje?
— Eu estava planejando em
ir ao cinema, mas a coisa é que estava com fome hoje e queria ir pra algum
lugar pra eu e meus amigos comerem.
“Meus
amigos comerem”, Daniela não pôde evitar de congelar quanto à menção. João
Vitor era seu amigo desde que os dois começaram a conversar sobre filmes de
ficção cientifica e, desde então, os dois formaram uma amizade duradoura. Como
amiga dele, fora apresentada para várias pessoas e entre elas Guilherme, um
menino que estudava sempre em outra turma e quem expressou um profundo
interesse em conhece-la. Os dois iam se aproximar para uma relação além da
amizade, mas sua mãe conhecia um dos irmãos do moço, de infâmia entre as mães
do colégio, e a aconselhou a se afastar dele. Ela não a dera muito ouvidos, mas
a notícia de algum modo escapou ao conhecimento dele e ele começou a travar
discussões com Daniela. Isso acabou gerando uma tensão entre as duas partes, as
quais não puderam evitar de se encontrar por mais que quisessem o inverso. E
Daniela sabia, simplesmente sabia, que João Vitor sabia do ocorrido e que ele
também almejava remendar o laço.
— Pizza, sushi, sanduíche?
— questionou,
vendo-se incapaz, mais uma vez, em dizer “não” e se deslocou para a geladeira
para a abrir — Você
já combinou um horário com a galera?
Daniela pegou uma maçã e fechou a porta.
— Combinei umas 19h, mas
pensando que eles podem chegar umas 20h — disse ele — São 17h30, ainda estou aqui em casa vendo se meu
pai não poderia me deixar na pizzaria aqui perto de casa. É barato o rodízio e
as pizzas são bem feitas.
— Ah, pizzas? — fez ela — Eu já fui com você aí
umas treze vezes, João. Sei como são gostosas.
— Então, fico só preocupado
com a hora de ir embora. Esperar naquela parada lá próxima me parece perigoso
se você for sozinha.
— Eu sei me virar, João — ela não pôde conter um
sorriso ao andar até a varanda e ficar ao lado de sua pintura — Eu já andei sozinha de
sua casa para a minha várias vezes e a rota é considerada perigosa. Fica
tranquilo.
— João tem toda a razão — disse a mãe, quem
começara a escutar a conversa e que virava seu corpo para voltar à cozinha — É perigoso andar sozinha
por aí. Você pode pedir para seu pai a pegar na pizzaria. O telefone deve estar
carregado mesmo...
— Fica combinado, então — Daniela não conseguia
deixar de notar o alívio que se acentuou na voz dele — Você vai e volta com alguém ou com seu pai.
Eu poderia te levar se a minha moto não estivesse em conserto.
Daniela
tinha assombro em andar de motos. Velocidade, medo de cair. Ficou mentalmente
agradecida por ter escapado. Ela já havia dito várias vezes a ele, mas João
Vitor dificilmente se lembrava desse detalhe quando a convidava para passear na
“motoca”. Por outro lado, seus irmãos achariam a ida de moto “irada” e seus
pais não gostariam de saber da carona.
Ao conseguir acertar com João
Vitor uma futura pintura que ele queria muito, um desenho do Capitão América,
ela desligou o telefone e foi para a varanda para pintar até o relógio da sala
dar 18h. Assim, ela arrumou suas telas, tintas e pincel para dentro do quarto.
Danilo e Diogo chegaram minutos depois junto com o pai, os três encharcados de
suor. Comentaram que o trânsito, como ela temia, estava terrível. O trajeto,
calculou, não seria curto, mas também não a impediria de chegar no horário dependendo
de como estivesse o tráfego. Isso a deixou em estado de maior pressa, fechando
a porta do quarto para poder trocar o macacão sujo de tinta por um par de
camisa e calça comprida. No instante em que buscava seus sapatos, Danilo batera
na porta para jogar três barrinhas de cereal.
— Para onde você vai? — perguntou ele, franzindo
a testa ao ver a irmã caçula em trajes para sair.
— Vou para a pizzaria
perto da casa do João.
— Ah, aquele cara — Diogo apareceu no ombro
do irmão e assobiou —
Vem cá, Dani, vocês dois namoram ou coisa assim? A cada duas semanas é um
convite para sair.
— Chega pra lá, somos só
amigos — disse — É nada além de amizade.
— Vai chegar um dia que
nossa querida irmãzinha vai trazer um homem aqui em casa — Danilo interrompeu — Não vai ser hoje.
— Jura? Tá bom. Nós
podemos apostar se nesse mês ela não... — Daniela jogou um olhar mortal na direção
de Diogo. Seu irmão sempre se divertia em fazer apostas com os dois, como
gostasse de estar brincando com o destino ou como chamavam a vida que possuíam — Vish, que cara é essa de
quem chupou limão?
— Cadê o pai? — Danilo perguntou,
virando-se para um canto fora dos limites da porta.
— O velho deve ter saído
para poder ver o jogo —
Diogo deduziu e isso fez as chances de Daniela pedir uma carona descerem — Você tem dinheiro para o
ônibus, guriazinha?
— Eu economizei bastante
nesse mês — disse ela
— Tenho doze reais
para os ônibus e vinte para o rodízio.
— Você pediu as telas de
nossos pais — cutucou
Diogo, um rapaz com uma honestidade de irritação nem sempre requerida — Você poupou dinheiro.
Claro que economizaria.
— Diogo, shiu — fez Danilo, dando um
olhar de advertência para o irmão e um toque em seu ombro.
Terminado
de calçar seus sapatos, Daniela terminou de se arrumar e foi na direção da
porta. Despediu-se, abriu a porta e desceu a rua até chegar na parada de
ônibus. Carros de polícia patrulhavam a área e ela fez de tudo para manter o
celular na bolsa que levava consigo. Seu ônibus chegou alguns minutos atrasado
e quase que ela não entrava, como o motorista quase passava antes de a ver
saltando e acenando para ele parar.
CONTINUA...
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