Banner Submarino

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[LEITOR CONVIDADO] Ciano

Ainda no clima de Natal, hoje tem conto do leitor Thales Lopes!
Não deixe de ler:

E eu, via-o claramente, tão claramente que ofuscava meus olhos e faziam-no arder como chamas em uma lareira. Ele não se importava comigo, aprendi a viver com a sua rejeição no momento em que ele deixará claro que não queria mais. Não era fácil para mim, foi intenso demais. Ama-lo foi como cortas meus pulsos e dilacerar minha pele com facas afiadas, ama-lo foi como morrer lentamente me afogando em um mar de lágrimas. Meus olhos semeavam rios, eu precisava supera-lo de qualquer maneira.
As nuvens do céu transitavam de maneira lenta, o sol afastava-se criando um contraste entre a luz e as sombras da grande árvore que ficava na parte de trás da minha casa. Minha mãe cozinhava e preparava a ceia de natal nos fundos da residência e eu, morria de tédio no quarto como qualquer um que não ligava nem um pouco para isso.
Datas comemorativas sempre é um saco para mim. Não conheço ninguém do meu bairro e sou tida como cafona metida e desprezível, mas não me importo tanto com isso.
Minha mãe convidará todos para a nossa ceia, um bando de desconhecidos em minha opinião. Vieram parentes que eu via apenas uma vez por ano e que desprezava por não ter nada em comum além do sangue, uma verdadeira tragédia grega. Eu não sabia bem o que fazer e o que pensar, via tudo em tons cinzentos e abstratos, não tinham nada a dizer e a fazer.
Eu observava as estrelas do céu quando ela chegará, lembro-me perfeitamente daqueles cabelos escuros. Ela mirou-me e riu, compreendia a imensidão da minha mente, retornava a ser naquele instante meu porto seguro como já fora alguns anos atrás.
Aproximei-me impulsivamente, não havia intencionalidade alguma naquele ato, agarrei-a e abracei-a, disse oi da melhor maneira que pude e ela me respondeu da mesma forma. Eu estudava agora o mistério dos seus olhos e ela, compartilhava o meu sentimento de tédio e ignorava toda aquela farsa que era o nosso natal, nem sabíamos o significado de todo aquele evento. Convidou-me para sair e eu aceito.
Começava a esquentar, o calor do asfalto nos embriagava. Apesar de não termos ingerido uma gota de álcool estávamos tontas e sem noção alguma do que fazer e para onde ir. Era engraçada a entonação das nossas vozes e o rumo de nossas conversas que iam do cômico ao trágico em segundos e mesmo assim não pareciam, por nenhum instante, maçante ou tediante.
Andamos por quarteirões até chegarmos numa casa vermelha. O portão estava fechado, mas ainda era possível ouvir a música e as vozes que atravessavam por aquelas paredes. Entramos, as pessoas riam e estavam felizes, todos eram amigáveis. Dançamos na pista de dança como se fossemos divas dos anos oitenta, apesar disso, parecia que o tempo congelará para nos observa dançando.
As luzes nunca estiveram tão brilhantes, a felicidade é um êxtase que eu conhecia pela primeira vez naquela noite não tão amena. O chão balançava um pouco assim como meu corpo e o corpo dela. Eu sentia a luz na minha pele, era ciano, era uma droga poderosa que consumia meu corpo aos poucos, mas parecia que eu havia descoberto a melhor das melhores coisas do mundo. Ela me beijava lentamente, como o nascimento de uma estrela, eu senti meu corpo fluir no espaço vazio existente entre mim e o universo, percebi que éramos tudo que fazíamos.
No final da noite retornei para casa, eu havia descoberto o segredo de seus lábios, tomei um banho e fui dormir. Ao invés de escapar da realidade, descobri-me em um pesadelo um tanto quanto inocente. Crise existencial não era nada comparada a isso, sonhei que ele dizia que estava indo embora, subia em um trem e dizia adeus enquanto segurava o Bob, meu coelho, entre as mãos e uma nuvem de cavalos voadores cortava o céu com suas caudas multicoloridas.

Acordei assustada, arrumei o cabelo e sai o quarto. Fiquei triste porque ele levará meu animal de estimação para longe e então percebi que não me importava mais nenhum pouco com ele.  

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário